Tuesday, March 22, 2011

Inté

Vou escrever muito simples. Como se estivesse a escrever pela primeira vez, frases simples de um só verbo, um sujeito e talvez um complemento predicativo de alguma coisa, que mais tarde me lembre,,,,, poucas virgulas. Ponto final quando necessário. Nenhum ponto de exclamação? E muito menos de interrogação! Não quero reticências.... e sinceramente não percebo o ponto e virgula; ora, ou é uma coisa ou é outra, já alguma vez firam uma: virgula de interrogação? Que aspecto teria uma coisa dessas, é melhor não imaginar...

Letargicamente vou-me arrastando, o quê? Letargicamente é uma palavra complicada?... vou-me arrastando, deslizando pelo mundo que é tão redondo que dá vontade de escorregar por ele abaixo e brincar aos berlindes com ele. Dá vontade de engarrafar o mundo, tal como se engarrafam barcos, que magicamente ficam dentro de uma garrafa... O mundo em versão garrafa. Haveria para todos os gostos, mundo com gás, mundo light para os saudáveis, mundo com corantes e mundo de marca branca. Tudo isso na prateleira de super-mercado mais próxima de si.

Como seria criar constelações e vias lácteas? Constelações deve de ser como jogar aquele jogo, que se faz na primária, ou então, em qualquer livro de entretém para crianças. Aquela coisa de ligar os pontos e ver que desenho vai sair de lá. Agora a via láctea? Nem me vou dar ao trabalho de responder como foi isso criado, parece demasiado evidente.

Estou cansado, vou voar, vou adormecer a conduzir... parece ser uma experiência engraçada, vamos lá ver no que resulta...

Tuesday, March 15, 2011

Divagações, machos e sexo

Não gosto de adivinhas, muito menos do tom paternalista e sabichão que os mais velhos nos interrogam sobre a cor de um cavalo de um tipo com um metro e meio... Acho que quem faz adivinhas tem um complexo de inferioridade qualquer, não são pessoas muito inteligentes porque pessoas inteligentes não nos perguntam, com um olhar espertalhão de quem nos vai puxar o banco no momento em que nos vamos sentar. Quem é que no seu perfeito juízo, olha para nós e com voz baixinha, estilo segredo nos faz a perguntar mais ridícula da história? Qual é a coisa, qual é ela amarela e com bigodes?

Ora pois claro senhor Eugénio, é o gato do 3º esquerdo... como é que nunca me lembrei disso? Realmente que tolinho que sou, mas diga-me uma coisa sôr 'Génio, qual é a coisa, qual é ela que grita muito alto e você conhece?... Ora, não sabe?... Não mesmo? É a sua filha a masturbar-se com a fotografia do Papa à frente. Uma "santa" de uma rapariga.

Por falar em masturbação... todos nós a fazemos, certo? Então porque é que nunca falamos disso? Não seria vida infinitamente mais divertida se respondêssemos a uma daquelas perguntas, que até quem interroga não está interessado: "Então que fizeste ontem à noite?"; "Olha jantei com o pessoal do trabalho, fui para casa e vi um filme horrível... o pah juro aquilo era mesmo muito mau. E antes de ir dormir masturbei-me". "Fixe, fixe.... aaaah?"

E até as próprias raparigas, que falam com grande repugnância disso quando um gajo diz que bate uma de vez em quando e elas fazem aquela cara, do tipo: não percebo porque fazem isso, qual é a piada? Que acaba por terminar sempre, com um canto do lábio superior retorcido para cima. Claro, como se também não o fizessem... Aliás, para vermos ao ponto a que isto vai há certas miúdas que na sua loucura põem coisas muito estranhas lá dentro e claro a vossa mãe sabe do senhor azul de borracha que vocês têm na gaveta das tanguinhas. Sim, sabe... só não diz porque quem admite faze-lo é uma grande "desenvergonhada". O que na minha lógica, ser-se desenvergonhado é bom, visto que eu nunca conheci um tímido a chegar longe na vida...

Mas não seria muito mais divertido, se todos fossemos mais honestos com aquilo que fazemos? "Olha amiga, eu já venho... estou com uma grande vontade de me masturbar. 5 minutos e já volto". E no processo a amiga tomava o seu carioquinha de limão como se nada se tivesse passado.

Sim, eu sei, eu divago muito. Mas eu também sou apologista da honestidade nos limites... Claro que sou e todos os homens o são, só que não dizem... Qual seria o problema de um homem dizer a uma rapariga: "Olá, eu estava ali e reparei em ti e tenho que admitir que adoraria fazer sexo contigo na casa-de-banho deste shopping, que me dizes?" Nenhum! Mas provavelmente a señorita a seguir iria para o inferno o que seria muito desagradável. Aaah, também me esqueci de um facto que não me devia de esquecer, as mulheres não gostam de sexo, odeiam! A sério, é verdade... perguntem a uma das vossas amigas e vejam o que ela diz: "Gostas de fazer sexo?". Resposta provável: Qual é o animal, qual é ele que não entende o ser feminino, nem faz por o entender?

Saturday, February 26, 2011

Memoria Conditor

Descansamos o corpo, sob o céu negro de estrelas cadentes, sabendo que o dia de hoje não voltará a ser o mesmo. Jamais. Uno. Indivisível. Implacavelmente morto no espaço uniforme de 24 horas e não mais um minuto, e assim pousamos a cabeça na almofada. Tudo numa certeza de adormecimento breve, em torpor afflicta, sem saber onde se caminha, como e em que caminho nos levam os pés no vazio escuro da decadência do consciente.

Somos induzidos numa soma tranquilizante, bem ao jeito de Huxley. Perdidos no mundo tão surreal em que os desejos se sentem na flor da pele, nesse mesmo momento em que os pêlos dos braços se eriçam ao sentirem um beijo frio da partida do sonho. É-se levado, por Milton até ao seu Paraíso Perdido onde podemos ser tudo o que quisermos. Sem limitações, liberdade criativa e processual total. Mas tudo... tudo no escuro do ser, embrenhado na categoria de creator mundis, senhor de uma luta incrível do elemento do ser contra o negro desse mesmo senhor.

Friday, February 25, 2011

Coisas do tempo fugido

Vou escrever sobre o que me apetecer:

Sabem sobre o que é que os escritores escrevem? Não, eles não escrevem sobre aquilo que lhes apetece, normalmente é sobre coisas aborrecidas, que nem a eles lhes interessa. Inventam histórias fantásticas, para um público que se faz de exigente, mas no fundo papa tudo aquilo que lhes dão à boca. Um escritor, é um pintor de caneta na mão que escreve sempre o mesmo de formas disfarçadas de nomes diferentes de personagens. Simples e eficaz. Ninguém repara, ninguém se queixa e no fim o escritor ainda recebe. Todos felizes.

Um escritor por norma é mais miserável do que a maioria das pessoas, mas é na sua miséria que se torna superior, mas isso só lhe doí mais. Normalmente, é mais pálido do que a maioria, porque não saí de casa. Os dentes amarelos do tabaco e com barriga a pousar nas pernas quando se senta para escrever. Alguns penteiam-se, outros não, a maioria já não tem cabelo. É dificil conhecer um escritor que queira saber de mais alguém para além de quem vê ao espelho quando se barbeia. Eu disse que são pálidos? São, porque não saem de casa e mesmo assim escrevem sobre a realidade à sua volta. Irónico e brilhante ao mesmo tempo.

Hoje escrevo isto, porque não me apetece escrever sobre mais nada, apetece-me gozar com o próprio facto de eu escrever. Contudo, já não escrevo grande coisa, talvez porque não passo tempo em caso, não sou pálido e tenho os dentes impecavelmente brancos...

Whatever... fuck the Queen and save the Virgins Mary's, not the Virgin Mary but all girl named Mary who are virgins...

Sunday, January 09, 2011

Engano de mentira

Ao olhar para os livros, percebo que estes não dão a verdade. Apenas são parte dela.

Colocamos questões à vida e esperamos por uma resposta, porque na essência somos incapazes de atingir a resposta. Apenas questionamos até possuirmos a verdade e no seu paradoxo sabemos que nunca a teremos. É uma tarefa de vida, para a qual nunca teremos conhecimentos total, porque somos feitos da mesma matéria orgânica que tudo o que é perecível.

Alguns de nós morrerão sem saber amar uma mulher, sem nunca ter lido um livro, sem nunca conhecerem quem são... outros irão amar um mulher e irão ter lido livros, mas jamais irão perguntar à vida pela verdade. A única detentora da verdade. Talvez a consigamos encontrar em locais remotos e afastados do mundo, escrevemos o nosso nome na pedra branca da cidadela e se essa for a sua vontade, quando lá voltarmos lá estará.

A verdade surge em momentos estranhos, irónicos por natureza e que nos fazem sorrir. Talvez a nossa morte anunciada seja a bênção que nos faz viver. Talvez um estranho numa viagem de autocarro seja a melhor amiga durante um dia, ou que um estranho a quem pedimos indicações nos olhe como um filho perdido. Se a verdade só pode ser a morte, então há momentos em que morremos e voltamos à vida só para sentir instantes de realidade.

Para perceber a vida é necessário colocar questões. Para perceber metáforas encobertas num texto é necessário perguntar o significado destas, só então compreendemos. Só então vivemos...

Saturday, December 04, 2010

A conduzir coincidências paradas

Está quieto e vai dormir, tens uma mulher bela à tua espera na cama. São 9 menos um quarto de um sábado e ainda não pregas-te olho desde o meio-dia da sexta-feira preguiçosa, vivida tranquilamente. Está bem, mas deixa-me só acabar este texto e depois vou dormir...

Diálogo interno, que se repete e me aborrece quando a tranquilidade se instala. Não interessa, não interessa mesmo serem 9 da manhã de um sábado e ainda estar acordado, porque hoje sigo as palavras de Byron, hoje não morro mais. Fumo mais um cigarro e mais uma golada na garrafa de whisky que já passa de meio, cria-se algo e mata-se as células nervosas do pensamento, porque esta é a ordem natural da existência. Tal como é o amor entre irmãos que afinal são amigos e entre amigos que afinal são irmãos. Escuta-se atentamente o nascer do sol, cheira-se os raios que incendeiam o céu negro, vê-se a ordem rotineira e matutina do vaivém espacial de passageiros em todas as direcções quanto possam ser transportados, quantas mais houvessem mais perdidos neste mundo tentariam encontrar o seu caminho numa valeta escondida que é esse transporte de alma atroz e penitêncioso quando só apetece é morrer de overdose: tão rápida e dorida como a vida.

Escrevo, porque o amo fazer, é a maior projecção mental dos pensamentos, uma trip de ácidos descarregados em simultâneo. É a última coisa que se poderia fazer, mas é o que faço, porque sinceramente há algo de superior aos esquesitismos apontados e consagrados. Esta é a linha de corte entre a igualdade podre e a verdade dormente. A barriga tem fome, o corpo tem fome, a mente tem fome... de pensamento, de prazer, de carne, de beleza, de conhecimento & de verdade. Cito Thoreau, London... e sou eu, e somos nós todos deste mundo.

Vivam bem!, enquanto eu vou fumar o tabaco dos imortais e já volto...

Sunday, November 07, 2010

Incompleto

Vidas...
O limbo permanente entre a decisão, porque no fundo é isso mesmo que a vida é, um conjunto de decisões que aprendemos a viver. Vivemos todos numa desgraça com muito de vitima, em que gostamos de acreditar que não detemos qualquer poder sobre o destino. Somos as peças de xadrez, as primeiras a caír, os peões que nunca decidem nada. Acordamos adormecidos, vivemos adormecidos, voltamos a adormecer adormecidos. Há sorrisos que se trocam, há outros que apenas visualizamos e que gostariamos de ter a coragem de os exprimir. Porque somos reprimidos, embora gostemos de pensar que somos livres. Ahh, grande Goethe, o verdadeiro erudito que afirmou que os maiores escravos são aqueles que acreditam que são livres. Livres? Como se essa palavra existisse de alguma forma no tempo, no espaço, na realidade...

Todos os dias são uma recriação fantástica da obra de Sam Mendes, todos os dias são uma beleza americana. Todos os dias as mulheres sentem-se reprimidas no casamento que vivem e querem ter um pouco de aventura, todos os dias o ponto alto dos homens é quando no banho se masturbam e de seguida respiram bem fundo para viverem mais um dia no inferno, todos os dias os adolescentes são apanhados numa rede à qual lhes escapa o controlo e vivem a boiar num mar demasiado agitado para eles. Todos os dias, todos os dias, todos os dias...

Prometemos fazer coisas novas, caímos na ilusão de que daqui a 2 anos é que vamos viajar, que daqui a 1 ano começamos a ter uma vida melhor. Promessas vãs, como o fumo de uma jarra de incenso que se balança no ar...