Monday, August 11, 2008

A perfeição

E se nos fossemos embora? Poderiamos deixar tudo isto para trás, todas estas mentiras, que um dia foram verdades encurraladas nas escabrosas paredes de betão que nos rodeiam por todos os lados. E se fossemos livres para voar, para planar na altitute tal como as gaivotas que pairam diante de mim, voariamos? Ou continuariamos a viver que nem os pombos que se passeiam pelo chão, sem rumo, desorganizados, caoticamente desorganizados, mentalmente mortos e há muito sem vida. Sim, sem vida, totalmente despromovidos de vida, termos o céu a abatar.se sobre a nossa cabeça e não podermos voar quando temos asas é patético, tal como as nossas vidas. Do mesmo modo, também nós. Só porque respiras não significa que estejas a viver, muito provavelmente estás morto, és apenas um cadaver que respira. A sério, vamo-nos embora?

Não te faço esta pergunta, porque sei que nunca terias a força necessária para agir pelos teus próprios instintos, já os perdes-tes e duvido que algum dia os voltes a recuperar. Estás morta na tua imbecibilidade, adormecida pelo desmaio temporário que a televisão te dá, reduzida pelo tabaco que consomes, corroída pela vida fantasiosa que vives. Dizes-te superior, com uma forte personalidade, mas a verdade é que com simples palavras te arrebatei, reduzi-te a nada, faço de ti o que quiser, obedeces e deixo-te ter as tuas pequenas liberdades, de forma a te controlar sem dares por isso. Onde está a tua altivez?, furei o teu balão com um alfinete e ele explodiu, caíu, perdeu-se. Mas isso eu não te consigo fazer, não te consigo fazer agir pelos instintos, seres outra vez tu, descobrires o lado mais selvagem e loucamente irracional que há em ti. Não consigo, porque morres.te para a vida e isso nem eu te consigo fazer ressuscitar. Só tu te podes salvar, eu sou impotente neste aspecto.

As nuvens pairam altas no céu, gigantesco, na sua imensidão parece que se abate sobre as nossas cabeças, sentimo-nos esmagados. Por fim, parto e deixo-te para trás, porque quando eu voar tu estarás a passear imbecilmente pelo chão, eu serei livre e tu estarás absorta nessa droga doentia em que se tornou a tua vida. Só porque respiras não significa que estejas viva.

1 comment:

luisa said...

Está tão, mas tão bom este texto.
Acho que tu é que atingiste a perfeiçao :')