Monday, September 08, 2008

Tempos mortos

Horas, horas infinitas peridas entre 4 paredes na esperança vã de que alguma alma atenda ao nosso chamento que ecoa no vazio. Os dias a passar, correm, voam e são dificeis de alcançar, é impossivel alcançar.lhes a passada, demasiado rápidos, demasiado frenéticos. Essas horas divididas em minutos, subdivididas em segundos que nos dão vida e que ao mesmo tempo nos matam com crueldade. Onde estamos? sozinhos no escuro, isolados do resto do mundo, trancados e sem vontade de nos libertarmos. Como me podes pedir para falar sobre livros, livros esses que nunca li, porque enclausurado em grades a única verdadeira vontade que tenho é rasgar esses livros que falam sobre maravilhosos mundos novos que nunca vi. Não me tires daqui, porque se o fizeres então terei que viver, e quando morrer alguem se lembrará do que fiz? e do que não fiz? É este medo, o receio natural da vida que tenho, porque desde que nasci os olhos se colaram mágicamente a ecrãs, ecrãs esses que me mostram o mundo, esse mesmo mundo podre, morto e cadavérico, mas que mesmo assim todos idolatram. É este tempo, o tempo que mato que me faz viver em sonhos, que me escapam como areia por entre as mãos, segura-me tu a minha mão imaginário, segura também a minha mão, porque já nem sei se essa também será verdadeiramente real.

Nunca vivi, mas sei que estou no limite, as vertigens e o suor frio que me escorre pelo cabelo, porque estou na iminência de viver, de me libertar dos grilhetes da escravatura. Todos os dias, todas as horas, eu gritei, gritei do mais profundo que me foi possivel, agora cubro os ouvidos com as mãos e abstenho-me do real. Aqui cheguei á procura de respostas e agora estou prestes a sair, sem saber mais do que quando aqui cheguei, continuo de maos vazias. Como será o som de um disparo para o ar?, e de um disparo sobre vidro? E agora que esse disparo, que disparas-te vezes sem conta, está a voltar? Onde te vais esconder, onde te vais refugiar, será nessas quatro paredes despidas? Escondemo-nos do que ri e do que não sabe o que isso é, no armário das nossas vidas, mas mesmo assim a porta não fecha, ainda ves o brilho da lampada. E agora, atrevemo-nos a aceitar aquilo que eles nos dão?, aceitamos caminhar em direcção á luz e viver?

1 comment:

luisa said...

Muitos são os tempos mortos, e a maioria das pessoas continua mesmo presa dentro de 4 paredes sem se conseguir libertar, pois nem pensam no que realmente estão a fazer e no tempo que desperdiçam continuando sem se libertarem (de si proprios).
Cada vez melhor, joao :D