Tuesday, August 29, 2006

Um visionário ou um génio dentro de Salinas?

Eu sei que este texto vai ser muito grande, mas leiam porque depois de lerem este texto tem outra visão do mundo.

São raros os escritores que me conseguem deixar maravilhado com o estilo de escrita deles. Felizmente John Steinbeck é um deles. Ainda não acabei a leitura do seu terceiro livro em minhas posses - A Leste do Paraiso -, mas o único adjectivo que lhe é permitido chamar é mesmo Génio. Tenho a impressão que nunca um adjectivo descreveu tão bem uma pessoa, Steinbeck transcede-se nos livros, são obras primas bem ao estilo das histórias do oeste americano.

O último livro que li dele -" A um Deus Desconhecido"- por si só é um clássico da literatura mundial, obrigatório. A forma original com que John acaba a narrativa deixa-nos sempre com aquele sorriso na cara em jeito de " Este gajo trocou-me bem as voltas, é formidável". O livro que de momento leio, " A Leste do Paraiso", antes mesmo de o ter começado a ler tornou-se um dos meus livros preferidos. Encontrei o segundo volume na cave, guardeio no quarto e quando o ia começar a ler apercebi-me que era o segundo volume. Quando finalmente comprei o primeiro volume, este numa questão de dias descola-se da capa como ganhando vida e deixou de ser perfeito, mas continua a ser um livro divinal ao seu modo. Eu sei que este vai ser um texto mesmo ao meu estilo, grande e aborrecido, a maioria nem o vai ler todo, mas Steinbeck merece isto e muito mais.

Para reforçar o estatuto de génio que eu lhe dei deixo aqui um capitulo do livro, é simplesmente espantoso a formar como este homem em principios do século XX já tinha uma visão tão futurista. Eu pergunto-me algum de nós irá atinjir o génio creativo e soberbo de Steinbeck? Espero bem que sim e de preferência que eu seja um deles.

" O homem pode ter vivido uma vida cinzenta, rodeado de terras escuras e de árvores negras, os acontecimentos mais importantes podem ter passado alinhados, anónimos e despromovidos de cor, mas nada disso conta. Porque, no instante da graça, o canto súbito de um grilo encanto o ouvido, o aroma da terra enche as narinas e a luz coada por uma árvore regenera a vista. Então, o homem transforma-se numa nascente inesgotável. Talvez que o lugar que ele ocupa no mundo possa ser medido pela qualidade e pelo número das suas iluminações. É uma função individual, mas que nos ine à colectividade. É mãe de toda a criação e define o homem em relaão aos outros homens.

Não sei o que nos reservam os anos que estão para vir. Preparam-se monstruosas transformações, forças extraórdinárias desenham um futuro cujo rosto desconhecemos. Algumas delas parecem-nos perigosas porque tendem a eliminar o que consideramos bom. É bem verdade que dois homens juntos levantam mais facilmente um peso do que um homem só. Uma equipa consegue fabricar automóveis mais rapidamente e melhor do que um homem só. E, o pão que sai duma fábrica é menos caro e de qualidade mais uniforme do que o do padeiro. Quando a nossa alimentação, a nossa vestimenta e os nossos tectos forem apenas fruto exclusivo da produção estandardizada, chegará a vez do pensamento. Toda a ideia de não obedecer a uma bilota deverá de ser eliminada. A produção colectiva ou em massa entrou na nossa vida económica, política e até religiosa, de tal modo que certas nações já substituirama ideia de Deus pela de colectividade....

A nossa espécie é a única criadora e dispõe de uma só faculdade criadora: o espirito individual do homem. Dois homens nunca criaram nada. Não existe colaboração eficaz em música, em poesia, nas matemáticas, na filosofia. Só depois de se ter dado o milagre da criação é que o grupo o pode explorar. O grupo nunca inventa nada. O bem mais precioso é o cérebro isolado do homem."

Aqui está a resposta á grandes duvidas existentes no mundo, simplesmente genail ainda para mais tendo sido escrito em meados do século passado. Um génio, que previu os problemas que hoje em dia existem, um filosofo que tem aquilo que nenhum professor vos irá dar. É arrepiante a forma como previu todos os acontecimentos actuais, ainda para mais finalmente um local onde o meu pensamento tanta vez individual e fora do comum se encontra. Eu que me consigo exprimir melhor com letras do que a falar não consigo encontrar aquilo que sinto, a perplexidade, o espanto, o assombro que uma obra como esta me provoca.

2 comments:

Ana Luisa said...

bem joao nem sei o que te dizer porque sempre leio as coisas que tu escreves é como se tivesse que pensar em tudo outra vez...na quilo que realmente acredito e da maneira como consegues e tens facilidade em escrever e dizeres o que sentes... sem duvida alguma és espantoso...e tens o grande dom da escrita....sem duvida estás de parabens!!! e que continues sempre assim! gosto mt de ti :):) bjinho**

impek said...

ola Joao!
Mais um texto bonito onde deixas transparecer que tás muito feliz, acho que nem tu acreditavas que ías ao pavilhão Alantico, mas vê se nao te inspiras com o espectáculo para não prejudicares os teus texos !!!!!....
(e que eu não gosto muito daquilo)
bjinhos