Sunday, October 08, 2006

Estás dentro?

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Que bonito, aula de português, ouvir música, escrever na últimas páginas do caderno, olhar pela janela e não prestar atenção aos textos literários e não literários. Para quê? Nunca na vida se irá precisar de saber distinguir um texto literário de um texto não literário, á excepção dos números que vêem na pauta lá por altura do Natal. Obviamente que também me encontro numa posição priviligiada, nem todos se podem dar a este pequeno luxo de não quererem saber da literação. Se ainda ao menos ajuda-se a escrever, mas nem isso.
Torna-se a curto prazo engraçado ver tantas caras interessadas numa matéria que nunca lhes irá ser útil para o resto da vida, mais uma vez exceptuando o valor que se vai atingir, mas isso já explicado está. Passando agora uns trinta e sete minutos, mais coisa menos coisa, sendo neste momento aproximadamente quatro menos um quarto de uma sexta feira. Sexta feira essa que só me dá vontade de chegar a casa e ter o descanço como companheiro de sofá, tudo depois de um agradável intervalo. Como ia dizendo, passado uns trinta e muitos minutos depois da aula ter começado, consigo reparar que o som dos Soundgarden tem o seu encanto, louvado o cromo japonês que inventou os mp3, que fique aqui bem explicito nesta página de caderno que não existe melhor aliado nas aulas do que o mp3. Enquanto certo ente humano continua a tagarelar sobre as metáforas ninguém nota que o individuo de óculos, com cabelo desgredanhado sem ordenação conveniente escreve. Ainda bem que ninguém repara, que me deixem ficar no meu mundo dentro das aulas, não gosto de chamar atenções. Embora ninguém repare que os pensamentos de certo individuo estão a uma distância para lá do horizonte, poucos são aqueles que ouvem o que a senhora da voz esganiçada diz. Estes que olham mas não prestam o minimo de atenção, outros que deveriam de ser dignatários de um qualquer prémio Nobel envolvendo sacrificio e masoquismo, ultrapassam os limites da dor humana e conseguem prestar atenção ao que é dito pela "sô dotora" de cabelo curto á garçon, presa nos anos 40.
Apesar de estar um dia um tanto nublado e com um nivel de humidade perto do 0%, consigo gostar dele e considero-o como um amigo. Todos os dias são amigos, amigos que normalmente têm uma duração de umas dezassete horas que logo de seguida são substituídos por outros. A beleza de certos dias está nas próprias coisas ou objectos, como queiram, que normalmente passam despercebidos mas certo dia conseguem captar a nossa atenção. Claro, que também os nossos congéneres humanos têm influência na beleza de um dia, uns dias estes humanos tornam-nos o dia numa verdadeira dor de cabeça, em outros dias tornam os dias em algo até bastante agradável. Por exemplo, o ser com que eu irei realizar o trabalho de grupo, diga-se a pares, é um daqueles espiritos que conseguem estragar um bocadinho do nosso dia. Dúvido que consiga recuperar da tarefa hérculeana que se avizinha, que Deus esteja comigo.
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Domingo, dia 8 de Outubro, o ano nem vale a pena dizer. Como era de prever não consegui mesmo recuperar de tal tarefa, seguida de uma aula de TIC, de um sábado especialmente inutil, consegui arranjar um domingo. Os domingos normalmente já quase que são dias uteis, pensa-se no que se vai fazer amanhã e nem se aproveita, este felizmente foi diferente. Não peguei no livro de MACS, - nem me vou dar ao trabalho de explicar o nome da disciplina, que alguém nos ajude!- , mas não me sinto com o coração pesado, para quê? Afinal esta transformou-se numa disciplina em que os livros praticamente deixaram de ser necessários e caso conste no calendário a tarde de segunda tem que ser ocupada com alguma coisa.
Cheguei ao blogger por volta das sete, primeiramente tive o castigo de Ptolomeu: a luz foi abaixo e o texto nem tempo teve para se despedir. Depois do estomâgo cheio voltei para completar e recomeçar de novo o texto, surpreendentemente vi-me singido á minha triste vida para conseguir escrever um texto. Verdade seja dita, a escola não tem qualquer interesse para escrever e a politica não interessa a ninguém, por exclusão de partes eu interesso-me pelo mundo e meus caros, sim existe um mundo novo e espectacular para além do Colégio da Barra e do Cajó que leva nele do Manel da telenovela da TVI -.
Esta deve de ser a quarta semana de aulas e pouco a pouco algo que parecia bom para se escrever deixa de o ser, logo um gajo é obrigado a recorrer á sua própria vida para conseguir escrever um texto que o deixe contente. Não pensem que é fácil escrever, podem ter muitas ideias mas passa-las para o papel torna-se mais dificil. Papel quando se escreve nos cadernos, magia quando aparecem as letras do outro lado do vidro do ecrã.
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Raras são as ocasiões em que se consegue ter a cabeça no lugar e não a deixar fugir para qualquer paraíso, por vezes a abstração torna-se o melhor. Fugir da realidade não é tão mau como isso, todos nós no fundo gostamos ainda de ver desenhados animados e ainda existem alguns éspecimes que deliram com o Noddy apesar de não dizerem. Todos nós precisamos de fugir e encontrar a nossa gruta para nos refugiarmos do real, porque nem sempre este é tão bom como isso e normalmente a fuga é melhor do que dizem. Esperar para ver, hoje e amanhã e assim sucessivamente temos que ter paciência para viver, podemos não gostar mas nem todos os dias são amigos do peito. É pena, mas mimo a mais estraga as pessoas, mas quem é que quer mimos quando tem trabalhos de pares tão bons que os efeitos nos deixam afastados de escrever durante três dias?

4 comments:

impek said...

tal como tu dizes mimo a mais estraga as pessoas não será o teu caso?
e olha tar nas aulas a ouvir mp3 tambem não tá com nada acho que estás a ser um mau exemplo para quem te le!!!
acho que deves ser uma referência para quem gosta de te ler e não é assim que o consegues? Certo?

impek said...

Apesar de tudo eu gosto muito dos teus textos, mas neste momento a escrita para ti tem que ser um hobi....
xau jinho

João Fernandes said...

Não pretendo ser referência para ninguém, quando se entender que a ambição desmedida não é tudo na vida talvez sejamos mais felizes. Será necessário criar e encontrar o equilibrio. Os exemplos não existem, não se deve tomar ninguém como exemplo, pois nesse caso estariamos a imitar outrem e a singirmo-nos á falta de personalidade.
Cada um de nós faz opções, eu tenho as minhas bem definidas, eu tenho o meu estilo de escrita e escrevo ao meu modo. Assim não pretendo ser referência, tornar este blog uma referÊncia? Com certeza, mas só quando escrever o que quiser. A partir do momento em que escrever este blog e levar a minha vida com a única função de agradar a outros tanto o sentido do blog como da vida deixa de existir, pois é claramente mais importante a concretização pessoal que ser-se uma referência para outrem. Se ser muito conhecido e se ambicionar a fama, tudo bem e cumpram os vossos objectivos, no meu caso ser conhecido por motivos inuteis não me faz qualquer sentido. Fazia sentido sim se me fosse dado mérito pelo trabalho que se faz e não, como em tantas ocasiões acontece ser-se conhecido por cunhas e por se ser um otário. Parece-vos familiar isto, meus jovens alunos? A mim também.
Não julguem as pessoas por primeiras impressões e se não entendem a forma de pensamento tentem lá chegar, inves de apenas contrariar.
3,
2,
1,
Over!

Psychotic Crow said...

Boa vida hã!!! Bons tempos em que eu tambem passava as minhas aulas de portugues a ouvir musica e a não prestar atenção nenhuma ao que o stôr dizia, ou então a jogar bounce e a desenhar... agora vendo bem acho que raras eram as aulas de português do meu 10º ano a que eu prestava atenção... Mas Bem...

Bom Texto, continua assim, não ligues a comentários sem fundamentos e vê lá se tomas atenção às aulas (Ya... como se eu próprio fizesse isso)