Friday, February 23, 2007

Pensamentos

Chego finalmente á noite de sexta, o que significa duas coisas: 1º- chegaram dois dias de descanço, 2º- estou cansado. Já não me lembro quando deixei de ter paciência para arrumar o quarto, na estante o modem é um siamês da webcam, caixa dos óculos ( que por acaso se encontram turvos devido á sujidade ), telemovel, cordões de sapatilhas, papeis, cd´s de música, cadernos abertos e cheios de borracha verde amontoam-se. Em cima do caderno jaze Eco, e o "Nome da Rosa", ele que me desculpe mas não vou pegar no seu incrivel romance, não hoje pelo menos.

Foram dois dias, é verdade, mas durante a semana não dormi, porque fiquei agarrado ás respectivas páginas e daí o meu cansaço. Recosto-me na cadeira e sem grande vontade de falar com quem quer que seja, ouço música. Isto não é nada, porque afinal deveriamos de ter recompensas, mas não a temos, por isso é que considero que Deus quando criou o mundo deveria de ter incapacitado o ser humano de tanto proveito próprio. No estado em que estou não me asseguro quem tenha de facto criado isto tudo, porque olhando para a vida continuo a não percebe-la muito bem, porque afinal gosto de tentar entender o sentido de tudo isto. Mas, sinceramente só o poderei saber quando fechar os olhos permanentemente e aí já não poderei voltar para encaixar todas as peças no puzzle.

A aula de português é aquilo a que eu gosto de chamar, a minha hora e meia de experiência fora do corpo, durante aquele tempo não perguntem pelo João, pois dúvido sériamente que ele esteja lá. Abro a janela e durante todo aquele tempo, que sempre me parece uma eternidade, observo os putos a passarem a caminho das aulas, ouço os pássaros a cantarem e não me queiram comparar aquele canto tão belo aos nefastos cantos de Camões, que a criatura lá na frente vai recitando pomposamente. As ervas esvoaçam a tentarem-se libertar da terra que as aprisiona e eu com o pensamento muito vago nem sei onde estou, porque tanto penso o que estará aquele canto do passaro a dizer-me, - ele estava a tentar dizer-me alguma coisa, senão qual seria a sua razão para repetir tanta vez aqueles agudos? - como penso que ainda vou ter que levar em cima com mais meia hora de lirica camoniana. Talvez eu não dê o devido valor aos anos que passo naquela escola, todos dizem que eu tenho boa vida e pergunto-me se assim será, porque se aquele mundo dentro das grades já é insano por natureza, e eu não considero tão mau quanto isso a vida lá fora, será que eu estou apenas a viver no meu mundo? É bem provável. Porque afinal quantos mundo poderão haver?

Para mim há o meu, se os outros tem o mundo deles? Não sei e não me interessa saber, para que me interessa a vida dos outros, desde que chegue a uma sexta cansado e com o cerebro numa pasta liquefeita já não é muito mau. Não, estou a falar a sério! O mundo nunca é o mesmo para duas pessoas diferentes, porque as pessoas pensam de forma diferente logo o mundo não é igual, talvez semelhante. O meu é melhor que o vosso? Com certeza, porque é meu e logo é melhor, espero é que pensem da mesma forma.

Para começar a música não é adequada ao meu estado de espirito, mas vejam bem, para quê mudar?, espero simplesmente que passe para a faixa seguinte. Como eu disse, vem sempre uma música melhor a seguir. As aulas de português só entende aquilo quem tiver neurónios a menos, porque quem tem dois palmos de juízo na testa sabe que só saíem tretas da bocarra da senhora, ou devo dizer senhor? Não interessa, nunca gostei muito dele, ou dela, tanto faz. Mas a sério, vocês entendem, é que eu não. Fazendo um rewind no tempo e voltando á realidade, acabou de passar um apitar daqueles que os telemoveis fazem pelas colunas, não abro os olhos, eu não recebo mensegens, talvez o vizinho tenha mais sorte. Vou tentando voltar aos pensamentos, mas tornou-se óbvio que é difícil, porque o pó acumulado no topo do ecrã é deveras espesso, alguém o há-de limpar e não serei eu. Bocejo repetidamente, e parece-me que o sono se apodera de mim, mau dia para se ter ideias para começar um livro, fica para a semana se foda, ninguém repara nisso. Os editores se realmente querem aquele pedaço de esterco compactado em 300 páginas esperam, só não quero é que me chateiem muito, isso torna-se aborrecido porque sinto pressão e habituado ás ficções norte-americanas, sob stress preciso de ver 10 horas de televisão por dia para descompressar.

Será que o passado das aulas de português me realmente me afecta? Provavelmente sim, vou ter que descobrir a morada da senhor(a) e mandar-lhe umas florzinhas, talvez adormeça os demónios daquelas horas a ouvir a merda dos pássaros a cantar. ( Pensamento interrompido ). Fodasse! Cortou-me mesmo a linha de pensamento, vou mas é ver televisão portuguesa, não sou incumbido de pensar, a minha meia hora de pensamento está feito, agora já não me calam os intelectuais. A Flor sempre se casou?

2 comments:

CV said...

Cândido Costa é um jogador k joga bem pelo lado direito, pelo esquerdo e pelos flancos!
Já dizia o poeta.

Gabriel Alves pa sempre!

(L)-Axu piada a esta merda k agora s poem nos flogs..

(escrevi isto a ouvir uma batida poderosa produzida por um gajo cujo HI5 é olho-azule)

Ana Luisa said...

olaa!

Gostei muito deste teu texto porque tem uma mistura de pensamentos muito bons!
E acho que tenho a resposta para quantos mundos há: infinitos.
Pois cada pessoa tem seu modo de pensar, ou seja, cada uma tem um mundo proprio de sonhos, ilusoes felicidade, tristezas e por aí adiante...

Muito giro o texto gostei muito!

beijinhos e nao, acho k a a flor ainda nao se casou :P