Monday, March 05, 2007

Anarquia





O ser humano ao contrário do que todos pensam é um ser altamente imperfeito, não foi concebido para agir em comunidade. Todos querem a glória e fazem tudo para encontrarem o filão dourado que os guiará até serem poderosos e os supremos junto dos seus irmãos. Aqueles que afirmam que o ser humano é um ser altamente sociável engana-se, pois um factor comum a todos as criaturas humanas é o egoísmo e o sentido de pertença. Também não somos um animal solitário, que não precisa de contacto com outros seres da sua espécie, realmente somos seres mais sociáveis que solitários e por isso criamos a civilização assim como a conhecemos, pois sozinhos a espécie não iria ter grande longevidade. Aquele que vive privado de qualquer contacto inter-pessoal é um louco, pois todos nós precisamos de exprimir os nossos sentimentos, ou então mais cedo, ou mais tarde estamos a dar por nós a falarmos sozinhos e a substituír a nossa realidade pela de todos os outros.


Á primeira vista a humanidade foi heregida a partir dos alicerces da primeira civilização, a nossa humanidade, tantas vezes espantosa e de facto admirável. Tudo o que poderia ter sido imaginado, já foi construído e agora pensa-se utopicamente em criar cada vez mais e sermos cada vez mais pioneiros em relação ao futuro. Mas, com o decorrer da história muita coisa ficou por dizer e outras tantas foram esquecidas pelo nevoeiro levantado em seu torno por aqueles que sempre controlaram o nosso modo de viver. E enquanto estes ditavam, e continuam a ditar o modo de viver de todos continua-se passivamente a viver cada dia, sempre assim foi ao caír-se no mesmo poço sem fundo, onde apenas um número contável pelos dedos consegue saír desse fosso e decide quem saí e quem lá fica esquecido pela imensidão do tempo. Somos passivos, não porque nos obrigam mas porque queremos e nunca nada se fez para a situação ser mudada. Agora de nada serve alguns cavaleiros tentarem derrubar a torre de babel, construída e fortificada durante centenas de anos, pois as heras que a ela se colam e adornam os seus jardins já penetraram as suas raízes tal como um polvo se finca a uma pedra.



Todo os dois parágrafos vêem confluir a um ponto, a este mesmo que agora lêem, o ser humano é egoísta por natureza e sempre terá a tendência para ser superior ao seu irmão. E juntando a este facto vivemos controlados por pouco menos que uma dezena de pessoas, nas mãos destes toda a nossa vida está dependente. Não conseguimos viver em harmonia, pois o nossos espirito impele-nos a ter o poder se nos é permitido ter e começamos a criar divisões, começamos a segregar sociedades e povos e mais tarde cada um destes povos assume-se a si mesmo como o melhor e entra-se em conflito. Seja qual for o sistema político em questão só um é perfeito, vivemos todos nós em democracia, mas também é sabido que esta democracia não se assemelha tão democrática como supostamente deveria de ser, os sistemas esquerdistas ( marxismos, trotskistas, maoistas, comunistas ) já deram o exemplo que estão longe da eficácia que se pede. Estes sistemas todos eles na teoria são bons, mas como é provado não têm resultados práticos. O único sistema político, embora utópico, que poderia ser fácilmente tão bom pragmaticamente como a nivel real é a Anarquia.


Desenganem-se a Anarquia não é aquilo a que a sociedade nos habituou, a Anarquia não é um grupo de jovens que consomem drogas e destroem e pilham cidades, não são grupos que atiram pedras á polícia e está realmente muito longe de ser a filosofia que se dá agora na Dinamarca. A Anarquia é um sistema simples, onde tudo é de todos, não existe propriedade privada e talvez a única verdadeira regra, se assim lhe podemos chamar, é a condição de deixar as coisas tal como as encontramos. Imaginem o quer era viver numa sociedade sem inveja e sem desconfiança um dos outros. Era uma sociedade harmoniosa e uma sociedade que apenas só se poderá viver em sonhos, nesta situação não haveriam esquerdas, nem direitas, não haveriam poderosos e classes baixas, seriamos todos iguais, trabalhariamos por um objectivo: o proveito dos outros, para que seja também proveito nosso. É uma sociedade utópica, bem o sei, mas custa-me acreditar que a sociedade foi eregida em pilares tão podres e mais tarde a própria podridão humana se entranhou nestes.




Pelos próprios "anarquistas" que só degridem o próprio nome deste sistema, pelos actos que em tudo vão contra a própria filosofia, é que quando eu digo que sou, ou gostaria de ser, anarquista as pessoas olham para mim e não me levam muito a sério. Para fazer a minha voz ouvir-se tenho que dizer que sou de direita ou de esquerda, que apoio x ou y, mas a verdade é que o mais próximo que podemos ter está nas mãos de Barack Obama, de Ségoléne Royal, de todos os sistemas esquerdistas que existem e por tal a Anarquia é tantas vezes associada a um mau nome, a uma palavra suja e feia de se dizer. Poucos são aqueles que sabem o que Anarquia realmente é, esses tal como eu continuam a sonhar na procura de dias mais justos, mais fraternos e mais livres.

1 comment:

Nuno said...

Ah e tal, isso de anarquia não é aquela coisa onde não há regras, não há bófia, e como tal podemos matar-nos uns aos outros na boa?

Citando Alex Battig: "Anarchy is the true nature of all things. Monarchy. Democracy, Communism. All useless forms to control the human mind. But a mind cannot be controlled. It cannot be restrained. It has no boundaries. It has its will. Anarchy is the true nature of all things."