Wednesday, September 20, 2006

Não gostam? Azar, também não gosto e aturo-vos

Depois de passar alguns dias sem grande vontade de escrever, decidi que hoje era o dia. Agora isto para actualizar os Ases Perdidos com regularidade torna-se cada vez mais díficil, três horas por semana de instituto de inglês, dois dias de capoeira e outros tantos de ginásio, um horário ridiculamente repartido come-nos por dentro e ficamos sem grandes vontades de nos arrastarmos até aqui e dar a quem visita uns textos maneirinhos. Perguntem-me porquê mas sinceramente não sei o porquê de andar meio em baixo, a volta ás aulas é um hipotese bastante concreta que deve de ser analisada cuidadosamente.

Com as aulas cada vez temos menos tempo para procurar temas sobre que escrever, torna-se virtualmente impossivel devido ao pesado horário e quando um individuo chega a casa a vontade de escrever não é assim muito grande. Eu sempre disse que a vida era feita de altos e baixos, hoje está-se no topo com amanhã podes começar uma queda vertiginosa em direcção ao desconhecido. Sinto que me falta alguma coisa, o quê não sei mas não está tudo no seu devido lugar isso não. Uma pessoa torna-se mais ou menos virtuosa com o nivel de paciência que dela é exigido, eu por esta hora e seguindo esta lógico devo de ser das pessoas com mais paciência e mais passividade no que toca á sua vida que conheço.

Hoje em casa dos meus avós observei uma fotografia minha, deveria de ter os meus 4 anos, era um puto engraçado. Hoje olho e consigo me apereceber claramente que sempre um gajo metido para si mesmo, nunca confiei em muitas pessoas, não por ser desconfiado mas por instinto. Até aos meus 6 anos, ano em que entrei para a escola, passava os dias com o meu avô, raramente tinha relações de conhecimento com outros petits da minhas idade. Hoje sou uma pessoa diferente, mau era se assim não o fosse. Agora sei o que me rodeia, aprendi muita coisa á custa de erros, uns com grande impacto outros com pouco. Sinto falta desses dias em que tudo era inocente e era um mar de rosas em que não haviam sequer grandes preocupações se é que estas existiam. Hoje temos que saber as palavras que se diz para não se caír num potêncial erro, hoje temos que ter atenção ao que nos rodeia, temos que ter paciência e não saber se a perseverânça sempre escolhe os mais sagazes.

Mas, isto não é coisa recente, sempre foi assim. Na infância sempre foi muito bom, á medida de cada uma, - eu em particular não me posso queixar -, depois chega uma fase em que não sabemos bem o que fazemos, não damos contas dos erros e no fundo somos uns humanos com muito pouco disso mesmo. Mais tarde ou mais cedo chegamos ao ponto em que começamos a ter preocupações, começamos a ter que fazer pelas coisas se as quisermos e sem saber se as iremos alcançar. Isto é uma fase que era de bom tom que todos lá por lá passassem, uns não passam mas nem todos podemos ser iguais. As diferenças acontecem, podemos dar ou não conta destas, mas verdade é que elas acontecem e normalmente têm certos efeitos em nós que nem sempre são agradáveis.

Este assemelha-se a um tipico texto em fase de aulas, não tenho paciência para aturar metade das merdas que acontecem no nosso canteiro de felicidade estúpida, leia-se escola. Não tenho paciência para aturar eruditos sábios que não sabem a ponta de um corno para ensinar outros, isto porque não é com grandes notas que as pessoas se formam, a formação não pode ser imposta como ainda se teima em fazer. Não tenho paciência muito menos para grande parte das criaturas que deambulam nos intervalos sem saber o seu rumo, digo grande maioria para não dizer todos. Não sabem o que querem da vida, querem é ter os holofotes virados para as suas cabeças empastadas de cultura de casa de banho. Começo a perder a paciência em passar os intervalos de phones colocados nos ouvidos. Não quero parecer arrogante nem mal educado, coisa que não sou, mas cada vez que penso que vai ser este o futuro do mundo só me dá vontade de me encarcerar numa arca frigorifica e acordar daqui a uns milhares de anos para ver se certas criaturas alieginas já tem mais qualquer coisa sem ser o que todos os humanos querem, protagonismo.

7 comments:

Ana Luisa said...

olá!bem sem sombras de duvida mais um texto maravilhoso...que nos faz pensar exactamente no que tu dizez.
Parabens! continua asiim!
bjs

Anonymous said...

Eu não sou de responder a provocações mas na impossibilidade de puder passar a minha mensagem em simultâneo com a minha ausência, venho por este meio te dizer que nem todos queremos o protagonismo. Eu não o quero. Mas porque ele existe não quero deixar de marcar presença onde sinto que posso aparecer.
Passei muitos intervalos sozinha na sala para que não me vissem. Escondia os outros de mim, aproveitando para me procurar. Encontrei-me no capítulo inacabado da vida, intitulado “Expectativas”. Estas, sem arca frigorífica, têm a capacidade de se manterem inalteráveis ao longo do tempo. E como um trapezista sem rede, é a tua habilidade de “auto-preservação” que está a ser, constantemente, colocada à prova…
papelbranco

João Fernandes said...

Felizmente nem todos queremos ter os holofotes apontados ás nossas testas. Não levas provocação porque não existe provocação a ninguém no texto. - A menos que gostes de ter o protagonismo, mas pelo que li não o queres e apesar de não saber quem é que tecla desse lado do ecrã fico contente por não pertenceres a esse "restricto grupo".
Todos queremos marcar ou não presença, é preciso é não caír no ridiculo de ( tentarmos ) ser as estrelas da companhia.
Enjoy the life =)

Anonymous said...

A “provocação” surgiu da tua frase ”todos os humanos querem”. “Todos” são demasiados! Esta estatística é, naturalmente, deturpada pelo meio em que vivemos, que nos lança uma catadupa de protagonistas por tudo e por nada. Estamos perante um meio saturado dos tais candidatos a estrelas. Estrelas com uma luz tão artificialmente intensa, que nos impedem de ver a luz natural de tantos outros que passam ao lado de tudo isto. A minha intervenção surgiu de uma preocupação: contenção na tendência para generalizar. De resto concordo contigo. Mas ainda acredito que se mostrarmos interesse pelo que está para além dessa sede de protagonismo e fachada que alguns (alguns, dos teus "todos") cultivam, é possível que consigamos desarmar um pouco essas pessoas, não no sentido de contra atacá-las mas no sentido de relativizar essa necessidade (tentativa de ajudar a preservar a sua essência…quando ela existe!) …

Depois de ter passado pelo teu blog no início, voltei cá. E apesar de gostar mais do antigo visual continuo a gostar de ler os teus textos.

keep on...

papelbranco

João Fernandes said...

Antes de mais fico agradecido por voltares aos Ases Perdidos e fica sabendo que as portas deste pequeno lugar continuam sempre abertos a todos que aqui queram corrigir os meus erros e tenham um modo de pensar diferente do meu. o que se torna a coisa mais natural do mundo.

A mundança de visual ou template, como quiserem, deveu-se ao seguinte ponto: já no meu antigo blog o fundo era preto, este voltava a ser escuro para não dizer completamente preto. Por tal, tive necessidade de modificar e pôr as coisas mais ao meu modo, um grande egoísmo eu sei, - já várias pessoas me disseram que preferiam o antigo design, mas eu sou mesmo teimoso.

Passando ao que importa e deixando de lado um pouco as ladaínhas: como podem ver não são só os pontos e as virgulas que alteram o contexto de uma frase. Não só aquela tão conhecida frase lá do Tó Salazar que a modifica completamente. Nesta odisseia de quebrar barreiras, ou tentativa disso, aprendi e penso que todos ( sim desta vez é mesmo todos XD ), podemos aprender que afinal uma pequena palavra pode mudar completamente o contexto de um texto.

Foi um erro meu, e com este "todos" peço as mais sinceras desculpas se feri alguém, com a palavra todos que deveria de ser algúns, ou certas pessoas. Agradecido pela correção do erro e sinceramente nunca foi minha intenção de ofender alguém, quer dizer aqueles meninos que vêem Morangos com Açucar e que querem vestir t-shirts como aquelas tão famosas agora em Hollywood "Did you ever saw my sex tape?!"

Triste? Sim, um bocadinho.

Espero agora me ter expressado bem

Anonymous said...

E a saga continua…

Não considero que uma palavra tenha mudado o contexto do que escreveste. Foi a única, alvo da minha distracção. Estava muito bem a ler e de repente o intermitente começou a piscar. E vai daí, manifestei-me. Depende dos dias. Possivelmente noutro dia nem teria dado importância ao ponto de intervir, e consideraria uma exacerbada forma de tocar na ferida, que às vezes tb é necessária…
Desta vez quem estava sensível a “todos” era eu…
:)
papelbranco

(Por ex. actualmente existe uma combinação de 3 palavras que ligam o vermelho directo…no meu entender são dispensáveis de qualquer texto…são elas: morangos com acuçar…
só de escrevê-las meus dedos estão com “cara” de quem acabou de comer algo muito azedo… ;)

João Fernandes said...

HEHE
É bem verdade quando escrevo o conjunto de palavras ( *gasp* ) "Morangos com Açucar" os meus dedos começam-se a contercer cheios de dores, mas há pior. Quando escrevo F-L-O-R-I-B-E-L-L-A ( se escrevesse tudo pegado acredito que muito boa gente iria mandar vários insultos á minha pessoa por ter escrito tal ofensa ), aí é que os meus dedos começam a torcer-se de tal forma que só com uns bons 3 a 4 Xanax´s é que isto ia ao sitio.

Obrigado pelos comentários e sente-te livre para comentar sempre que queiras ! ;)

João Fernandes